Presidente de Portugal no encerramento

No último dia aconteceu a trilha FullSTK, focada em desenvolvimento, com isso participamos de algumas palestras específicas de desenvolvimento de software, mas nenhuma indo muito no detalhe em si, que não é o objetivo do evento. Do que rolou hoje, seguem nossos destaques. 

Realidade aumentada

Bas Wouterse CTO da Telm mostrou uma solução bem interessante com óculos de realidade aumentada para identificar encanamentos e parte elétrica de construções.

Digital Ocean

“Chasing clouds: An immigrant story” foi o título do painel com os irmãos “Uretsky”, fundadores da Digital Ocean. Eles contaram um pouco de suas histórias de vida e sobre os valores da Digital Ocean. Eles acreditam que o diferencial deles é o amor, que pode soar estranho vindo de uma empresa, mas faz sentido, uma vez que a maioria dos seus usuários amam o serviço e eles também amam o que fazem. Esta é uma boa forma de se diferenciar de Google e Amazon, dois concorrentes de tamanhos “continentais” frente a eles

Criador do JavaScript, ídolo do Bruno Cartolari

Na sequência Brendan Eich, criado do JavaScript e CEO do Brave, veio falar sobre o navegador e seus diferenciais. Foi uma talk que por mais que seja “vendedora” encaixou muito bem para o público, uma vez que privacidade foi o assunto mais comentado no evento. O destaque da palestra foi ver como Brave está indo além de se preocupar com a privacidade em si, e também criando novas possibilidades para criadores e usuários ganharem dinheiro (e eles também nesse processo), com o Brave Rewards

Marketing do Burger King

Na PandaConf, uma palestra bacana foi do brasileiro responsável pelo marketing no Burger King. Ele comentou que o principal concorrente deles, o McDonald’s tem muito mais dinheiro do que eles, então eles tem que ser mais criativos e nos últimos 5 anos eles tem conseguido. Citou alguns exemplos: 

  • Whooper por 1 centavo se você pedisse em um McDonald’s
  • Entregas feitas no congestionamento no México

Deu ainda alguns outros exemplos mostrando como estão conseguindo atuar com criatividade e atrelando a melhor desempenho de vendas e do App. Para ele, a criatividade tem o poder de mudar a realidade, temos que nos puxarmos para fazer coisas difíceis e em alguns cenários você tem que ser o primeiro ou nada. 

Carros elétricos – muito além da Tesla

Na trilha de “Auto/Tech & TalkRobot”, o Lucas Di Grassi campeão de Fórmula E, falou um pouco sobre a Roborace, que tem como objetivo criar carros autônomos de competição, não para substituir as competições com humanos, e sim para ser uma nova categoria. Além dele estava o Avinash Rugoobur, CSO da Arrival, que comentou que o seu maior desafio é criar a produção do carro do zero, pois é nela que será possível reduzir o preço dos carros elétricos para ao menos igualar o preço dos carros com combustíveis fósseis.

Um ponto interessante em relação ao desenvolvimento da tecnologia de carros elétricos, foi a constatação que hoje a Fórmula E de fato serve como laboratória para o desenvolvimento dos carros elétricos, e parte disso é devido as regras existentes, que fazem com que as partes comuns, como parte aerodinâmica seja a mesma para todos os carros. A transmissão e motor podem ser customizadas, e assim, as empresas conseguem focar no que realmente pode sair das pistas para os carros das pessoas.

Arquitetura Evolucionária, Rebecca Parsons

A CTO da Thoughworks falou sobre Fitness Functions e sobre os princípios e técnicas da arquitetura evolucionária.

Duas referências sobre o tema são:

O futuro dos robôs, Marc Raibert

O CEO do Boston Dynamics apresentou ao-vivo o Spot, um robô cujo objetivo é fazer tarefas repetitivas e em locais que podem fornecer um perigo ao ser humano. A ideia é que ele seja o “Android dos robôs”, tanto que eles começaram a vender pelo site, para que desenvolvedores ao redor do mundo possam criar soluções.

Além do Spot tem o Atlas, a Lamborghini dos robôs, pois ele é muito caro, tanto para se desenvolver como para manter. Mas ele ainda está em fase de testes, embora os vídeos sejam impressionantes.

Como atrair um dev para o seu produto, Cristina Sass da Andela

Parecia ser uma palestra que ia falar muito sobre devs, mas que falou muito (e foi legal) sobre a Andela. Uma empresa que presta serviços de desenvolvimento para startups (até aí nada de novo). Mas o legal que embora seja uma empresa americana, todos os programadores estão localizados em diversos países da África. 

A empresa vai indo bem e eles tem cerca de 2000 empregados, mas recentemente demitiram 400. O ponto que ela apontou é que tinham contratado juniores demais e não estavam conseguindo fazer a empresa andar no ritmo que precisam.  Então eles queriam transformar a pirâmide em diamante. 

Apesar desta demissão em massa, uma coisa que motiva a empresa é escalar o emprego para os jovens. 

Hydro, fabricante de alumínio, que sofreu um Cyber Attack. 

Uma grande empresa fabricante de alumínio sofreu um Cyber Attack que parou as operações globais da empresa. Este ataque é descrito melhor aqui: https://www.computerweekly.com/news/252467199/Norsk-Hydro-cyber-attack-could-cost-up-to-75m

Eles não negociaram com os hackers e ele compartilhou alguns dos sentimentos dele:

  • Pior do ataque não é o dia 01 ou 02, mas o dia 30 quando todos estão cansados e não podem sofrer um novo ataque, porque senão todo trabalho terá ido por água abaixo. 
  • Ao fazer um plano de segurança, você deve ter em mente como irá responder se acontecer o pior.  Tem que ter procedimentos de recuperação. 

Como construir uma companhia invencível

Alex Ostervalder deu uma palestra muito bacana sobre itens necessários para a inovação na empresa. Tem uma versão da palestra aqui: 

Ele divide a inovação em explorar (explore) e “aproveitar” (exploit). Temos que ver quanto de energia iremos investir em cada fase. Como vamos explorar o mundo? Quão grande é a ideia? As empresas tem que jogar fora a ideia quando não é boa. Assista o vídeo para mais detalhes sobre.

Uma pergunta que ele fez foi: 

Quantos projetos de 100 mil dólares precisa para uma ideia de 1 bilhão de dólares? Faz de conta que queremos fazer o próximo Nespresso.

  • 250 projetos de 100 mil
  • 162 falham
  • 87 se mantem
  • 1 outlier

Então de cara, ninguém consegue escolher o inovador. Ninguém escolhe a ideia certa de saída. Na Bosch, por exemplo, eles tem 269 times trabalhando por 3 meses. Somente 30% deles passam de fase. Se o time achar que não tem evidências suficientes, não passará. Passa por mais uma seleção e dos 269 iniciais, somente 14 sobreviveram. Numa empresa menor, investimos de 4 a 10 projetos, para ter ao menos 1 certo. 

Como startups podem colaborar com grandes empresas

Neste painel participou a Bedy Yang, muito presente no passado no BRNewTech, um evento de startups de São Paulo. Agora ela está no 500 startups. 

Por que uma startup iria se aliar a uma empresa? Por dinheiro, negócios e para ser adquirida. 

A primeira reunião entre startup e empresa sempre vai muito bem. Segunda reunião vê que o produto não é tão bom assim, empreendedor vê que não será tão fácil. 

A Schneider, representada no painel, colabora com 200 startups investindo em 50 delas. A startup tem que tomar cuidado com o Pilot To Death, uma startup que só faz piloto para empresa grande, vai morrer. E para a empresa grande é difícil medir esta colaboração. 

Mais do que medir o sucesso da colaboração. Tem que estabelecer bem os termos para namorar antes de casar. Cada um entender o que precisa e o que pode fornecer. Setar as expectativas na relação. 

Startup Campeã

135 startups foram selecionadas para o pitch no web Summit. 

  • Be right back, de viagens teve um melhor pitch.
  • Banjo, tinha um apelo mais emocional. 
  • Nutrix, tinha potencial disruptivo, ao trazer uma nova forma de controlar o diabetes. 

Margrete Vestager

Foi a última palestra e ela e a mulher que causa preocupações no Google, Facebook e pessoal do vale do silício. Ela denuncia quando eles cometem práticas abusivas ou não cumprem os direitos de privacidade de seus clientes.  

Ela acha que temos que achar o balanço de democracia dentro da competição. Ela viu que não só a Europa está puxando este assunto que autoridades começaram a se engajar e buscar soluções. 

Ela acha que em alguns momentos as empresas do Syllicon Valley dão um migué. Porque as coisas que hoje valem e já foram discutidas para o mundo real não valem para o virtual. 

Microtargeting, anúncios personalizados, para ela virou manipulação. 

Google, Facebook e Twitter sabem mais sobre nós que nossos advogados, médicos e padres (ou pastores) combinados. Não é eu que busco no Google é o Google que busca sobre mim. 

Ela não quer quebrar estas empresas. Se quebrar uma empresa, não resolve o problema. Ela vai na linha que quando você chega em um dado tamanho, você deve ser mais responsável. Tem que ser cobrado diferente. 

Em um show de mágica, vc sabe que será manipulado. Com as empresas de tecnologia, isso não é bem verdade.

Veredito

Foi nosso primeiro Web Summit, e por mais que existia uma expectativa grande, por ser tratar de um dos maiores eventos de tecnologia e empreendedorismo, viemos com a cabeça aberta e dispostos de visitar os stands e ver variadas apresentações.

O ponto alto sem dúvidas foi a variedade, tanto de trilhas, com algumas ocorrendo os 3 dias, outras apenas um, como de stands, que também alguns permanecem os 3 dias e outros apenas 1. Isso traz “novas conexões”, sejam conhecer novas pessoas, mercados e ideias que você nunca imaginou ou de mercados que você nem sabia que existia. Parte dessa variedade também é devido ter pessoas de vários países e regiões do mundo, embora algumas regiões como África e Oceania, não tinham tantos representantes nos stands, palcos ou assistindo.

Outros pontos positivos foram:

  • Organização: mesmo recebendo 70 mil pessoas, a organização é excelente, há filas e alguns momentos de multidão, mas são apenas momentos
  • Segurança: tanto pela ajuda da polícia, como pelos funcionários contratados e revistas que existem, fazem a gente não se preocupar com a segurança
  • Aplicativo: pelo app foi possível marcar palestras a serem vistas, conversar antes com pessoas e até interagir mandando perguntas e respondendo pesquisas

Agora dos pontos a melhorar o principal é o conteúdo, não que seja ruim, mas acaba ficando raso devido ao formato de painel e tempo, que geralmente é de 25 minutos e outro ponto ruim são alguns títulos das palestras, que são muito “clickbait”, pois o conteúdo em si não aborda ou não concluir nada do que se esperava.

Do conteúdo ainda, não uma crítica, mas sim uma constatação, é que o assunto mais falado foi sobre privacidade, uma preocupação bem grande, e principalmente aqui na Europa, mostrando que a GDPR, embora possa não ser a melhor soluç

Outros pontos a melhorar:

  • Fluxo de pessoas: principalmente na entrada a muita aglomeração, poderia ter mais de uma entrada, e no almoço poderia ter indicações no app de lugares com menos fila
  • Dar margem para pequenos atrasos: houve algumas apresentações, inclusive na abertura com o Edward Snowden, que foram praticamente cortadas, devido ao tempo ter esgotado, e a forma é grosseira, colocasse a música de término e aumenta ela, finalizando uma conversa de forma abrupta e gerando um desconforto. 

O Web Summit 2019 foi uma boa experiência, não é um evento que achamos que vale vir todo ano, mas ocasionalmente sim, principalmente para dar uma oxigenada.