Parte do texto foi originalmente publicado na newsletter de fevereiro de 2017 e escrita pelo Bruno.

 

Não existe uma empresa que não pense em como aumentar a produtividade da sua equipe. Horário flexível, open-office, festas etc. Tudo para que a equipe fique mais feliz e mais produtiva. De uns tempos para cá, trabalho remoto e home office são os queridinhos das empresas. Seja para cortar custos ou mesmo porque é a moda do momento.

Se pensarmos em produtividade, temos que concordar que os escritórios atualmente não são desenhados para isso. Não existe lugar com mais distrações do que um escritório. Telefone, conversas paralelas, pessoas entrando e saindo e interrupções por qualquer motivo. Passar 30 minutos sem ser interrompido por qualquer uma dessas coisas é praticamente impossível.

 

Não existe lugar com mais distrações do que um escritório.

 

Mesmo vivenciando na pele isso todos os dias, ainda forçamos todos a estarem sob o mesmo teto trabalhando.

O home office é uma tentativa de aumentar a produtividade, que é bom para a empresa, e melhorar a qualidade de vida, que é bom para a equipe.

Desde 2016 temos utilizando o HO na nossa rotina semanal, com a recomendação de uma vez por semana. Recomendação essa que tem a sua aplicação de acordo com a pessoas: algumas fazem toda semana, outras trabalham pela manhã de casa em casa em alguns dias e a tarde vão para o escritório, e outras acabam preferindo não fazer HO. Acreditamos no bom senso da nossa equipe e que eles vão tomar a melhor decisão para os projetos.

 

Nossos números? Temos 4 pessoas que trabalham remotamente, 3 delas nem moram no estado de São Paulo. Além deles, temos pessoas que nunca fizeram home office e muitos que fazem esporadicamente. E até o momento estamos bem felizes com os resultados.

 

Como adotar o home office:

Quando uma empresa começa a pensar em adotar a prática do home office, duas dúvidas pairam sobre a cabeça da gerência/diretoria:

  • Será que as pessoas vão trabalhar mesmo?
  • Será que vão produzir mais?

A primeira é, ao mesmo tempo, a mais difícil e a mais fácil de resolver. Ou você confia na sua equipe ou não. Se você confia, a resposta é bem simples e direta. Sim, as pessoas vão trabalhar. Problema resolvido. Se você não confia, você tem problemas maiores para se preocupar do que onde eles vão trabalhar. Não existe mágica.

 

Ou você confia na sua equipe ou não.

 

Não existe home office se não existir confiança. Se uma empresa adota porque é a moda do momento, mas continua com o mesmo comportamento de gerentes olhando por cima dos ombros das pessoas para saber o que estão fazendo, vigilância das atividades da equipe durante o horário de trabalho ou qualquer outra coisa do tipo, não vai funcionar.
Adotar o home office nesse cenário só vai ampliar uma situação ruim que sua equipe já vive e tornar a vida de todos ainda mais miserável. Por isso, se você não tem confiança na sua equipe, dê um passo atrás, resolva isso e aí comece a pensar nessa forma de trabalho.

Agora, se você confia na sua equipe e acredita que contratou as pessoas certas. Sim, você deve dar essa opção para a sua equipe. Deixe-os escolher se querem fazer ou não. Não seja aquela empresa que pede justificativa para saber do porque do home office naquele dia. Também não tente obrigá-los: existem pessoas que não gostam e não querem trabalhar em casa. Não faz sentido colocar essas pessoas em uma situação em que não querem. Já os que querem, que sabem que vão produzir mais e ser mais felizes ficando de casa algumas vezes na semana, use-os para medir os primeiros resultados.

Sobre produzir mais a questão é um pouco mais complicada.

Existem muitas vantagens de se trabalhar em casa e uma delas é não perder tempo e energia só indo e voltando para o trabalho. Quem mora em São Paulo, ou em outra grande cidade do país, sente na pele o esforço necessário entre sair da porta de casa até sentar na sua cadeira no escritório. Tanto faz se você usa metrô, ônibus que só vai pelos corredores ou de carro. Se não é possível fazer o trajeto a pé, você já chega um pouco estressado. Em São Paulo, se estima que no ano de 2015 se perdeu R$ 80 bilhões por causa do trânsito. É uma quantia importante para qualquer economia.

Tirando esse problema de ir e voltar, obviamente, temos mais produtividade, certo? Talvez não!

Durante muitos anos, nos acostumamos a ter uma linha muito clara dividindo as coisas. Casa é casa, trabalho é trabalho. Com o home office, essa linha não existe e ainda precisamos nos acostumar com isso. E aí não basta apenas a empresa e os funcionários entenderem isso. Os familiares também. E, talvez, para alguns, seja a parte mais difícil da transição para o home office. Dependendo do contexto que a pessoa tenha em casa, talvez demore um pouco mais de tempo para que todos fiquem alinhados que durante aquele horário o cômodo que a pessoa está é um escritório e não uma casa.

 

Home office só tem pontos positivos então?
Não.

 

Em uma recente pesquisa publicada na Medical Xpress, dados da ONU apresentam que 41% pessoas que trabalham remotamente tem algum nível de estresse, em comparação com os que trabalham no escritório, esse número é de 21%. Também 45% das pessoas entrevistadas na pesquisa que trabalham em casa tem insônia. 29% dos que trabalham apenas no escritório enfrentam o mesmo problema.

Quem trabalha remotamente produz mais, mas tende a trabalhar mais horas, de forma mais intensa e, em alguns casos, com interrupções por causa de atividades da casa.

Somados isso com a dúvida das empresas e da equipe se a pessoa está trabalhando de verdade, dá para entender o porque de gerar tanto estresse para os que ficam de casa algumas vezes na semana ou mesmo o tempo todo.

Outro fator que se perde com o trabalho em casa são os encontros casuais. A ideia do Gmail apareceu enquanto pessoas de equipes diferentes jogavam sinuca no escritório. O escritório da Pixar foi todo desenhado para facilitar e incentivar esse tipo de encontro, assim como novo escritório da Lego.

A prática de home office tem muitas vantagens para todas as partes. Maior produtividade, melhores resultados, maior satisfação e liberdade para a equipe, mas é preciso estabelecer alguns pilares antes de adotar como política na empresa.

Estabeleça profunda confiança com a sua equipe. Sem isso, no primeiro prazo perdido você vai achar que é culpa do home office, vai começar a achar que os que ficam de casa não estão trabalhando, esses ficarão mais estressados que o normal, irão produzir menos e, quando se der conta, algo que deveria ser positivo e trazer mais satisfação e qualidade de vida para todos é o que está destruindo sua operação e sua saúde.

Estudos falam que entre 2 ou 3 dias por semana é a medida certa, mas recomendamos que deixe que sua equipe decida isso. Assim como a confiança de que eles vão trabalhar quando ficarem em casa, também tem que ter a confiança que eles vão saber a quantidade de vezes que irá aumentar os resultados. Depois dessa experiência inicial, entre 6 e 9 meses, avalie os resultados e aí comece a fazer ajustes, mas baseados nos resultados de cada equipe e não em achismos ou generalização. Talvez não funcione para uma equipe ou para um tipo de trabalho, mas isso não pode afetar na percepção de outros grupos onde a experiência foi muito boa.

Trabalhar de casa não é para todo mundo. Logo, não é para todas as empresas. Mas não porque uma empresa é muito grande ou muito pequena ou porque esse tipo de trabalho dá e outros não. O que define se será um sucesso são as pessoas envolvidas. Por isso, incentive aqueles que querem fazer e não obrigue os que não querem.

 

E você, já adotou home office na sua empresa? Deixe um pouco da sua experiência nos comentários.