A Vizir começou com um produto que fracassou e acabou virando uma consultoria. Em 2010, antes de começar a empresa pouco sabíamos sobre Business Model Canvas, Lean Startup e MVP. Desde então falhamos com nossa ideia, ajudamos a desenvolver outras, começamos o SafeGuard e aumentamos nosso time, com pessoas que também curtem esta “cultura de startups”. Hoje podemos dizer sem dúvida que conhecemos bastante do assunto.

Por isso, a partir de agora, colocaremos ao menos dois posts por mês relacionados ao assunto. E este primeiro post é roubado do livro “The Startup Owner’s Manual” (com versão em português), onde os autores dão dá um zilhão de dicas para você que está montando, já montou ou gosta de startups.

Este é um exemplo que mostra que seguir um plano, por mais bem feito que ele tenha sido, não substitui validar continuamente a sua ideia com o cliente, o mais cedo possível e da forma mais simples. 

Evolução dos celulares da Iridium

 

A startup Iridium foi uma das maiores jogadas já efetuadas – uma ousada aposta de $ 5,2 bilhões. Fundada em 1991 pela Motorola e um grupo de sócios composto por 18 outras companhias, a Iridium planejava desenvolver um sistema de telefonia móvel que iria funcionar “em qualquer lugar do planeta”: nos navios no meio dos oceanos, no interior das selvas africanas e mesmo no pico das mais remotas montanhas onde inexistiam torres repetidores de sinal.

Mas como isso seria possível? Com um plano de negócio do outro mundo! Para início de conversa, a companhia comprou uma frota de 15 foguetes da Rússia, EUA e China. Em seguida colocou 72 satélites de comunicação privados em órbita que operavam com antenas de celular a cerca de 300 km de altura cobrindo qualquer canto da terra.

Sete anos após a fundação da empresa, os satélites continuavam no céu. Mas nove meses depois que a primeira ligação telefônica foi feita, em 1998, a empresa foi à falência.

Quando a Iridium foi fundada, em 1991, a cobertura mundial de telefones celulares era esparsa, não confiável e cara. Os aparelhos de celular eram grandes como tijolos. A Iridium adotou um plano de negócios que fazia suposições sobre clientes, seus problemas e o produto que desejavam para resolvê-los.

Outros pressupostos a respeito dos canais de vendas, parceiros e modelo de receitas foram acrescentados ao rol de projeções financeiras, de tal modo que a Iridium em breve iria precisar imprimir dinheiro.

Ao longo dos sete anos subsequentes, a Iridium iria, veloz e cegamente, partir do conceito ao lançamento de uma rede mundial de telefonia celular.

Na época em que a Iridium se pôs em ação havia bem menos lugares distantes no planeta onde o serviço de telefonia móvel era indisponível.As companhias tradicionais do setor proporcionavam cobertura na maioria das áreas mais valorizadas do mundo. As tarifas do serviço encolhiam tão rapidamente quanto os aparelhos.

O telefone via satélite da Iridium, ao contrário, era maior que um tijolo e pesava quase tanto quanto. Pior ainda, o celular da Iridium era capaz de fazer chamadas de carros ou prédios, mas precisava para isso estar no “campo de visão” dos satélites. E, em lugar da tarifa de 50 centavos por minuto de um celular comum, uma ligação pela Iridium era feita ao custo de $ 7 o minuto, além do gasto de aquisição do aparelho $ 3.000.

O mercado potencial da companhia encolhia quase diariamente. Em vez de um massivo mercado mundial de potenciais consumidores, restava um punhado de usuários dispostos a pagar os preços praticados para utilizar um produto com muitas limitações.

Não obstante, os pressupostos do modelo de negócio da Iridium e os planos continuavam com a mesma rigidez que apresentavam em 1991. A empresa gastou $5 bilhões montando um negócio ao longo de oito anos sem jamais focar em quatro questões-chave:

  • Nós identificamos um problema que o cliente quer ver resolvido?
  • Nosso produto soluciona os problemas ou atende às necessidades do cliente?
  • Em caso positivo, nós temos um modelo de negócio viável e lucrativo?
  • Já aprendemos o suficiente para começar a vender?

 

Vinte anos mais tarde, a Iridium volta à tona. Em 2000, um grupo de investidores adquiriu seus ativos, estimados em $ 6 bilhões, por $ 25 milhões. Após uma longa e sofrida recuperação, a empresa comemora a marca de 500 mil clientes atendida em setembro de 2011.

É para pensar realmente, afinal nos anos que a Iridium passou a desenvolver a sua ideia, a necessidade de um celular global era muito menor!